terça-feira, 21 de dezembro de 2010

23rd

                … Só me apetece chorar, mas também não consigo. Quero gritar, mas tenho um nó na garganta. Queria continuar, mas já não tenho esperança. Um dia a mais, uns segundos a menos.
                Não quero viver consumida por este desejo. Posso comer hoje, mas comerei amanhã e, apesar de o sabor não ser  igual, o efeito é o mesmo. Não desisto por ser difícil, desisto por não ter saída. Não quero lutar por algo que não tem significado e que me vai absorver todo o meu tempo que, parecendo que não, é bastante precioso. Não vou perder as outras coisas boas da vida por uma que, por mais que lute, nunca será vencida por mim.
                Hoje meti um ponto final, onde já não podia haver mais vírgulas.

Filipa Teixeira.

domingo, 19 de dezembro de 2010

22nd


Ele tocou, ele beijou e fez tudo o que queria. Não que eu não quisesse… queria!
                Senti-me especial, apenas por horas. Dormi e sonhei contigo, sinto o teu cheiro na minha roupa e temo em lava-las. Se gostasses de mim…
                [Flashback]:
As coisas têm de ir com calma, dizia eu, têm de começar de baixo, avançando, gradualmente. As coisas dizem-se, mas não se cumprem. Ficou tudo combinado, nada esperado, mas o que me interessava é que ia estar contigo. Fales ou não, olhar-te chegava-me… Esqueci o meu passado, esqueci quem era, quem eras, quem somos, na verdade.
Beijaste-me, eu beijei-te, unimo-nos num abraço e fundimo-nos sem preocupações. O mar de emoções e de álcool levou-me a ti, como eu nunca iria, se estivesse sozinha. Cedes-te, não asseguras-te um futuro, apenas uns toques profundos e eu aceitei.
O ardor, o quente, o tempo frio e o meu corpo escaldante, os teus olhos despreocupados e intrigantes… és meu(!), por horas a fio, foste sim! Consegui prender-te o olhar, no meu corpo nu, se olhaste nos meus olhos eu não reparei, mas o meu corpo foi a tua maior preocupação enquanto me tomavas.
Senti-me uma leoa em cativeiro, como se estivesse a ser domada e, por mais estranho que pareça, eu gostei. Foi um palco para maiores de 18, violento e intenso. Profundamente… intenso!
[EndFlashback]
Já passaram horas, dias, semanas… sei que tudo não passou do que foi. Foi óptimo, mas acabou! Se pudesse repetia, sem ilusões. O teu corpo, o meu, uma união perfeita! Um espaço magnifico e confortável… quero que me faças gritar, sentir o êxtase chegar, outra vez. Homem tão perfeito, não devia andar assim à solta. Um dia compro uma trela e prendo-te, torno-te no meu animal de estimação preferido, só para mim.
Sexo, gemidos, gritos… sentidos, movimentos activos. Agora volta, volta! Quero ter-te de volta.
Ondas vibrantes, não escolho o teu caminho, deixa fluir e deixo-te escolher.

Filipa Teixeira.

domingo, 5 de dezembro de 2010

21st


                A montanha russa parou, precisamente, quando estava de pernas para o ar. Assim não pode ser, não pode (grito interior)! Sinto-me escorregar, vou cair. Vou cair e partir o pescoço e com ele daqui para fora… as naves flutuam entre moléculas de ar, moléculas de gases tóxicos e afins. Mais uma maquina, mais um pouco de destruição. Estamos sempre a ajudar à próxima ‘Estrela Nova’, queremos aproveitar tudo a que temos direito, tirando tudo a quem nem sequer chegou, a quem nem sequer pisou o chão… chão? Já não há chão(!), só cimento, a terra vai desaparecendo, encoberta pelos nossos próprios desperdícios.
                Andamos a deitar-nos sobre o lixo, pensando que se trata da melhor ceda japonesa. Andamos às voltas, como galinhas doidas, à procura do melhor milho…
                Mas chega! Acabou! Mas acabou agora! Que se lixe, que temos mais a perder? Morte? Isso não te assusta, porque te matas um tanto todos os dias! O medo, esse já não te mete medo! Dá-te gozo.
                Tretas, palavras a mais, palavras que ficam por dizer, actos que ficam por efectuar, actos que ficam a mais neste currículo marcante da vida. Já nada importa, porque somos todos animais, e só não somos selvagens, porque os selvagens não destroem o seu próprio habitat!

                Olha, e quê?

Filipa Teixeira.

domingo, 28 de novembro de 2010

20th


                Não preciso de dizer muito, para dizer tudo o que quero. Já suspiro tanto e não digo nada.
                Quero falar, mas a minha boca não fala. Quero-te beijar, mas os meus pés não andam.
                Não preciso de ir muito longe, para ir onde quero.
                Não preciso de olhar para tudo, apenas para encontrar quem quero.
                Os meus lábios calam-se para ti, o impulso fecha-se ao pé de ti, os meus pés não andam para ir a teu encontro e os meus olhos… esses(?), esses olham-te de frente, procurando os teus.

Filipa Teixeira.

19th


                É como os olhos falarem e a boca olhar… olhar, intensamente! Um suspiro sai do meu peito e o embaraço permanece nas minhas mãos.
                Os teus olhos beijam os meus, um beijo tão doce, intenso e secreto, como o simples olhar dos nossos lábios, um olhar tão longínquo… quero olhar de perto, quero tocar esse olhar com o meu, quero sentir essa vontade de tocar, essa vontade de beijar, os meus olhos, sem secretismo. Quero voltar a abraçar-te e sentir aquele calor, um abraço tão quente, um abraço com vontade… simples, mas com vontade.
                Já sonho acordada, já penso a dormir… De dia ando distraída, á noite não consigo dormir. Andas-te a picar a minha mente, até que entras-te e agora, não te consigo deixar sair. Entras-te como uma droga pesada, agora és um vício constante. Não!! Não estejas longe! Preciso de te beijar, preciso de te olhar. Consigo ouvir o teu cheiro e sentir o teu som.
                Vem!! Envolve-te nos meus sentidos trocados. Vem, quero que me toques com o teu olhar. Dá-me esse calor, esse som, esse toque… dá-me essa vontade de me abraçar.

Filipa Teixeira.

18th


                Hoje olhei-me no espelho e sorri. Estava tão feia, que me deu vontade de rir. Não, não foi por isso. Os meus lábios só anseiam pelos teus e saber que não me sais da cabeça tem-me deixado feliz.
                O teu olhar deixa-me vermelha, mas a minha boca(?), a minha boca anseia pelo teu beijo, pelo teu sabor. Não imaginas o quão frustrante é ter-te a milímetros e nunca ter provado o teu sabor. Não imaginas o quão desconcertante é saber que sei como é o teu abraço, querer abraçar-te e não ter coragem para isso. Já sei como é estar colada a ti, já sei como é esperar um beijo teu… só não sei é como é recebe-lo.
                Se desespero? Sim, desespero por ti, por não te deixar partir, por não querer ir, por querer faltar, por querer tudo isto só para te ver, por te querer tanto, por saber que me podes querer também, mas não ter coragem de tirar tudo a limpo. Porque sei o quão discreto és, por saber que terias vergonha, por saber que te irias alterar se fizessem troça de mim por te querer. Por saber que queres um beijo meu… por isso tudo, desespero.
                Mas sabes(?), nada disto atrapalha a minha felicidade. Tens sido o sol dos meus dias, a chuva das minhas plantas, o açúcar do meu coração. Olhar para ti deixa-me descontrolada, tocar-te deixa-me a ferver e depois, depois de estar contigo, deixa-me febril.

Filipa Teixeira