domingo, 5 de dezembro de 2010

21st


                A montanha russa parou, precisamente, quando estava de pernas para o ar. Assim não pode ser, não pode (grito interior)! Sinto-me escorregar, vou cair. Vou cair e partir o pescoço e com ele daqui para fora… as naves flutuam entre moléculas de ar, moléculas de gases tóxicos e afins. Mais uma maquina, mais um pouco de destruição. Estamos sempre a ajudar à próxima ‘Estrela Nova’, queremos aproveitar tudo a que temos direito, tirando tudo a quem nem sequer chegou, a quem nem sequer pisou o chão… chão? Já não há chão(!), só cimento, a terra vai desaparecendo, encoberta pelos nossos próprios desperdícios.
                Andamos a deitar-nos sobre o lixo, pensando que se trata da melhor ceda japonesa. Andamos às voltas, como galinhas doidas, à procura do melhor milho…
                Mas chega! Acabou! Mas acabou agora! Que se lixe, que temos mais a perder? Morte? Isso não te assusta, porque te matas um tanto todos os dias! O medo, esse já não te mete medo! Dá-te gozo.
                Tretas, palavras a mais, palavras que ficam por dizer, actos que ficam por efectuar, actos que ficam a mais neste currículo marcante da vida. Já nada importa, porque somos todos animais, e só não somos selvagens, porque os selvagens não destroem o seu próprio habitat!

                Olha, e quê?

Filipa Teixeira.

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