sexta-feira, 22 de abril de 2011

31st

                Hoje, num momento em que me senti fracassar, disseram-me “Caga para tudo, faz tudo o que quiseres porque se não o fizeres e não disseres tudo o que quiseres, não te livrarás de quem não precisas e nem de quem não precisa de ti e tampouco darás a conhecer dos teus sentimentos a quem amas!”. Guardei estas palavras fervorosamente no meu íntimo e tomei a minha decisão!
                Bolas! Para quê, mas para quê?! Ter medo, para quê? Não querer magoar-me, para quê? Sou humana e se não me arriscar não viverei e tornar-me-ei um eterno vegetal… Vou, vou lançar-me por cima da barreira de betão, apesar de me proteger dos crocodilos terei de passar por eles para viver, para obter aquilo que quero, se não a passar viverei isolada do mundo, para não me magoar (?) … Nem pensar, depois dessa etapa, erguerei o meu queixo, e encher-me-ei de orgulho, daí, passarei o rio largo e abastado que protege milhares de crocodilos, mas passarei para o outro lado! Quando lá chegar saberei que apesar da dor que trago, das feridas e até a própria morte, será apenas réstias de tudo o que VALEU A PENA!

                Isto tudo só porque há sempre fraqueza, há sempre alguém que se detém porque sabe que vai cair… Vou parar a cassete na incerteza e vou jogar-me, logo a seguir irei meter no “Play” e saberei que o medo pode ser enfrentado, apesar da frustração carregada! E para mostrar que há gente que não nos esconde a realidade apesar de gostar de nós!

Filipa Teixeira.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

30th

Resposta ao Desafio proposto da Bloguista Pi(http://claudiasofiaa.blogspot.com):



                Ele olhou em volta, o vazio no seu peito fez desfazer todo o sonho maravilhoso que tinha tido. Os seus braços em volta do seu pescoço, os seu lábios carnudos pedindo os seus… mas para quê sonhar mais(?), ela deixou-me! Não vai voltar… Por mais que ambicionasse a sua chegada, por mais que a sentisse chegar, no seu íntimo sabia que as suas pernas nunca mais a levariam até sua casa.
                A cada dia que passava ele tornava-a a sua personagem no seu livro de conto de fadas, a sua mulher no seu joguinho psicótico de amor, a sua amante, a sua mãe, a sua filha… identificou-a em todas as personagens e escreveu um livro de amor onde ela reunia todas essas taras. Ele amou-a, ele amou-a obcecada e sofregamente, um amor tal que o matou de desgosto, quando se apercebeu do cabelo grisalho e da falta de forças nos braços, quando se apercebeu que se tinha isolado na sua imaginação, deixando-a viver e explorando a felicidade fora daquelas paredes.

Filipa Teixeira.

29th


                Podia morrer escrevendo todas as palavras, todos os relatos, todos os sentimentos, todos os derramamentos de sangue e todos os homicídios que cometi... mas não pararia de escrever se quisesses saber tudo, levar-te-ia pela eternidade enquanto escrevo todas as palavras que nunca quiseste ouvir, todas as palavras que quiseste e todos os detalhes de beijos, corpos suados e olhares cruzados. Porque é assim, porque não me desfaço de entrelinhas, porque temo, porque vais chamar a polícia... levar-te-ei comigo e iremos redigir um livro, escreveremos e vais ver como soa melhor, como é menos agressivo tudo o que te digo, como soará como um filme… todo o sangue, todo o choro, todo o cheiro nauseabundo, mas com isso, talvez te faça gemer de prazer, pois toda a tua felicidade deambulou à minha volta, todos os gemidos, os sorrisos, todos os carinhos, os olhares…
                Parei, parei para pensar, como podias te esquecer, mas sei que não te esquecerás, porque te levarei na corrida no Limbo, de onde só sairemos depois de me leres, depois de escrevermos juntos as palavras que nenhum humano entenderá nas nossas palavras humanas, nas nossas acções humanas… Tornar-nos-emos almas e nos consolaremos entre palavras que só este estatuto de Ser nos oferece.
                Beija-me de novo e saberei se morrerás comigo ou se esperarás que a morte faça de mim impotente, como sempre foste toda a tua inútil vida.

Filipa Teixeira.

terça-feira, 5 de abril de 2011

28th


                Quando eu e tu fazíamos um nós e quando dizíamos os verbos todos na primeira pessoa do plural, quando tudo não passavam de olhares falsos e sentimentos instituídos por actuações sem escrúpulos… criaste, criaste em mim a vontade de ti, a vontade de ser tua a todo o momento, a vontade de te dar a mão e erguer o queixo com orgulho,… orgulho, orgulho que não posso mais ter, orgulho que não tenho e que me obrigas a muda-lo para desgosto e malogro. Não posso fazer mais nada… não posso. Ó Deus meu, não posso, nem tampouco ter pena de mim própria, do meu ser insignificante…
                Hoje, dar-te-ia o mundo e o universo se fossem meus, teria beijado as tuas mãos e ter-me-ia ajoelhado a teus pés e os lavaria com amor e paixão… mas tenho o meu infortúnio guardado e com ele o meu próprio rancor a teu respeito… FOSTE TU! Foste tu que o criaste em mim, foste tu…
                Depois de teres deitado ao mundo a nossa história, não há razão pela qual posso esperar pelo teu olhar, simplesmente repudias a minha pessoa como antes a chamavas para perto de ti, como um consolo da tua alma, mas que farei eu? O meu amor projecta rectas obliquas e o meu G.P.S. procura-te em todas as esquinas sabendo que depois de te encontrar chorarei todas as lágrimas que trago no meu peito, o meu coração está machucado e os meus olhos inchados de dor e lágrimas…
                Se pareço uma pobre coitada a vossos olhos!? Que pareça! Estou pouco me lixando, que vós sois menos significantes para mim que ele próprio, que não me é nada e não me representa um sentimento sequer… A mentir, eu? Por quem me tomam? A veracidade das minhas palavras não lhes chegam? Eu, eu, eu não o quero e o meu coração entraria em pânico na esperança dele voltar a machuca-lo… nunca mais farei dele um pano que manejo para aqui e para ali e que dou a quem pensava ser a pessoa mais digna.
                Mas bem, o meu amor não chega e perdão não dou sem que mo peçam ou que me beijem os lábios docemente e me tomem nos braços com paixão e sinceridade… Mas não entremos em paranóias, que o mundo é o mesmo e não mudará para antiguidades de livros escárnios de fadas e príncipes encantados.

Filipa Teixeira