segunda-feira, 25 de julho de 2011

33rd


Um bom escritor... um bom escritor é aquele que sabe brincar com as palavras, tornando-as mudas a quem quer e de uma extrema potência vocal a quem ele quer que as perceba. Um bom escritor não tem pudor, nem tabus, um bom escritor é capaz de amar o que odeia e odiar o que ama só por gozo da própria imaginação.  
Ser um bom escritor é difícil, principalmente quando não se o é de facto. Passar sensações das quais o próprio nunca passou, saber envolver o público com as suas palavras intrigantes e saborosas.
Um bom escritor é capaz de fazer chorar, sorrir, sofrer, amar. Um bom escritor ama as próprias palavras mesmo que obtenha críticas menos desejadas, um bom escritor não tem medo de escrever e escreve sem cautela nem pontos finais…

Filipa Teixeira

sexta-feira, 10 de junho de 2011

32nd


Sou mulher, uma mulher que não abdica da palavra “sensualidade”, uma mulher que a usa espontaneamente. O sangue bombeia rapidamente enquanto os meus lábios, sem dizer uma palavra, ordenam que eles os beijem, enquanto o meu corpo se mexe ousadamente, na verdade não querendo seduzir ninguém, enquanto os meus olhos passam por eles sem interesse, mas provocando-os e trazendo-os a mim…
Lembras-te, de como ficaste preso a mim sem me tocar? Lembras-te de quando achaste que ias morrer se não me amasses? Lembras-te de quando disseste que o mundo não seria imenso o suficiente? Agora que me magoas diariamente, espero que te lembres por quem te apaixonaste, espero que morras na descrença, na solidão e que o teu corpo morra desidratado, chorando o meu corpo, os meus olhos, os meus beijos, o meu colo…
Quero que morra, que morra este Demónio(Amor)!!! Morre, sai do meu corpo!! Porque é que me apanhaste a mim? Porquê? Nunca quis isto, nunca quero nem nunca vou querer, isto dói mais que furar o meu próprio corpo com alfinetes de costureira. Porque me faz chorar quando só quero morrer, porque me faz querer quem me faz sofrer, eu odeio-o e contraio esse desejo louco de o vomitar para fora de mim, numa exaltação sufocada de gritos abafados pelo pânico onde acabo por desfalecer com o excesso de adrenalina.
Quero que te lembres que me deste a rosa vermelha da paixão antes da rosa do amor, quero que te lembres que te picaste com a segunda e que sangraste até ficar selado o teu desejo. Quero que te lembres que posso gostar de ti, mas que ter quem eu quiser é muito mais fácil. Quero que te lembres que sou mulher e que amar pode ser difícil, mas ser amada é muito mais fácil que esperar por ti. Não quero que te lembres, quero que saibas que não vou esperar por ti, que não vou esperar que a ferida abra mais, que vou virar a página e fazer letras deliciosas aparecer. Espero que saibas o que fizeste e que agora já não quero que voltes, não quero que me ames mais, não quero que me toques, não quero que me olhes, não quero que sintas o meu cheiro nem quero que faças parte da minha vida. Vais passar a ser uma escritura precipitada no meu livro da vida em que eu aprendo como andar de bicicleta, onde aprendo que cair não é desistir, mas se a bicicleta for muito pequena vou esfolar demasiadas vezes os joelhos para aprender a andar.
Quero que saibas que estou a morrer e que a máquina está a desligar antes de te poder enviar isto… vai ser tarde de mais, até para escrever o teu no…

sexta-feira, 22 de abril de 2011

31st

                Hoje, num momento em que me senti fracassar, disseram-me “Caga para tudo, faz tudo o que quiseres porque se não o fizeres e não disseres tudo o que quiseres, não te livrarás de quem não precisas e nem de quem não precisa de ti e tampouco darás a conhecer dos teus sentimentos a quem amas!”. Guardei estas palavras fervorosamente no meu íntimo e tomei a minha decisão!
                Bolas! Para quê, mas para quê?! Ter medo, para quê? Não querer magoar-me, para quê? Sou humana e se não me arriscar não viverei e tornar-me-ei um eterno vegetal… Vou, vou lançar-me por cima da barreira de betão, apesar de me proteger dos crocodilos terei de passar por eles para viver, para obter aquilo que quero, se não a passar viverei isolada do mundo, para não me magoar (?) … Nem pensar, depois dessa etapa, erguerei o meu queixo, e encher-me-ei de orgulho, daí, passarei o rio largo e abastado que protege milhares de crocodilos, mas passarei para o outro lado! Quando lá chegar saberei que apesar da dor que trago, das feridas e até a própria morte, será apenas réstias de tudo o que VALEU A PENA!

                Isto tudo só porque há sempre fraqueza, há sempre alguém que se detém porque sabe que vai cair… Vou parar a cassete na incerteza e vou jogar-me, logo a seguir irei meter no “Play” e saberei que o medo pode ser enfrentado, apesar da frustração carregada! E para mostrar que há gente que não nos esconde a realidade apesar de gostar de nós!

Filipa Teixeira.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

30th

Resposta ao Desafio proposto da Bloguista Pi(http://claudiasofiaa.blogspot.com):



                Ele olhou em volta, o vazio no seu peito fez desfazer todo o sonho maravilhoso que tinha tido. Os seus braços em volta do seu pescoço, os seu lábios carnudos pedindo os seus… mas para quê sonhar mais(?), ela deixou-me! Não vai voltar… Por mais que ambicionasse a sua chegada, por mais que a sentisse chegar, no seu íntimo sabia que as suas pernas nunca mais a levariam até sua casa.
                A cada dia que passava ele tornava-a a sua personagem no seu livro de conto de fadas, a sua mulher no seu joguinho psicótico de amor, a sua amante, a sua mãe, a sua filha… identificou-a em todas as personagens e escreveu um livro de amor onde ela reunia todas essas taras. Ele amou-a, ele amou-a obcecada e sofregamente, um amor tal que o matou de desgosto, quando se apercebeu do cabelo grisalho e da falta de forças nos braços, quando se apercebeu que se tinha isolado na sua imaginação, deixando-a viver e explorando a felicidade fora daquelas paredes.

Filipa Teixeira.

29th


                Podia morrer escrevendo todas as palavras, todos os relatos, todos os sentimentos, todos os derramamentos de sangue e todos os homicídios que cometi... mas não pararia de escrever se quisesses saber tudo, levar-te-ia pela eternidade enquanto escrevo todas as palavras que nunca quiseste ouvir, todas as palavras que quiseste e todos os detalhes de beijos, corpos suados e olhares cruzados. Porque é assim, porque não me desfaço de entrelinhas, porque temo, porque vais chamar a polícia... levar-te-ei comigo e iremos redigir um livro, escreveremos e vais ver como soa melhor, como é menos agressivo tudo o que te digo, como soará como um filme… todo o sangue, todo o choro, todo o cheiro nauseabundo, mas com isso, talvez te faça gemer de prazer, pois toda a tua felicidade deambulou à minha volta, todos os gemidos, os sorrisos, todos os carinhos, os olhares…
                Parei, parei para pensar, como podias te esquecer, mas sei que não te esquecerás, porque te levarei na corrida no Limbo, de onde só sairemos depois de me leres, depois de escrevermos juntos as palavras que nenhum humano entenderá nas nossas palavras humanas, nas nossas acções humanas… Tornar-nos-emos almas e nos consolaremos entre palavras que só este estatuto de Ser nos oferece.
                Beija-me de novo e saberei se morrerás comigo ou se esperarás que a morte faça de mim impotente, como sempre foste toda a tua inútil vida.

Filipa Teixeira.

terça-feira, 5 de abril de 2011

28th


                Quando eu e tu fazíamos um nós e quando dizíamos os verbos todos na primeira pessoa do plural, quando tudo não passavam de olhares falsos e sentimentos instituídos por actuações sem escrúpulos… criaste, criaste em mim a vontade de ti, a vontade de ser tua a todo o momento, a vontade de te dar a mão e erguer o queixo com orgulho,… orgulho, orgulho que não posso mais ter, orgulho que não tenho e que me obrigas a muda-lo para desgosto e malogro. Não posso fazer mais nada… não posso. Ó Deus meu, não posso, nem tampouco ter pena de mim própria, do meu ser insignificante…
                Hoje, dar-te-ia o mundo e o universo se fossem meus, teria beijado as tuas mãos e ter-me-ia ajoelhado a teus pés e os lavaria com amor e paixão… mas tenho o meu infortúnio guardado e com ele o meu próprio rancor a teu respeito… FOSTE TU! Foste tu que o criaste em mim, foste tu…
                Depois de teres deitado ao mundo a nossa história, não há razão pela qual posso esperar pelo teu olhar, simplesmente repudias a minha pessoa como antes a chamavas para perto de ti, como um consolo da tua alma, mas que farei eu? O meu amor projecta rectas obliquas e o meu G.P.S. procura-te em todas as esquinas sabendo que depois de te encontrar chorarei todas as lágrimas que trago no meu peito, o meu coração está machucado e os meus olhos inchados de dor e lágrimas…
                Se pareço uma pobre coitada a vossos olhos!? Que pareça! Estou pouco me lixando, que vós sois menos significantes para mim que ele próprio, que não me é nada e não me representa um sentimento sequer… A mentir, eu? Por quem me tomam? A veracidade das minhas palavras não lhes chegam? Eu, eu, eu não o quero e o meu coração entraria em pânico na esperança dele voltar a machuca-lo… nunca mais farei dele um pano que manejo para aqui e para ali e que dou a quem pensava ser a pessoa mais digna.
                Mas bem, o meu amor não chega e perdão não dou sem que mo peçam ou que me beijem os lábios docemente e me tomem nos braços com paixão e sinceridade… Mas não entremos em paranóias, que o mundo é o mesmo e não mudará para antiguidades de livros escárnios de fadas e príncipes encantados.

Filipa Teixeira

sexta-feira, 25 de março de 2011

27th


                Já escrevi letras poéticas de sentimentos efémeros e injustificáveis, hoje escrevo as palavras ditadas de um orador sem sono. Vai orando sobre o meu peito, sem se acanhar, sem vergonha de orar. Ele dita no meu peito e eu escrevo suas palavras belas e sonoramente baixas no seu abdómen firme e trabalhado pelo suor da vida.
                Crescemos a pensar que rezaríamos com aptidão, desenfreados numa noite quente de verão, mas apenas nos deram o chão frio de um celeiro, onde guardamos o rebanho de sonhos claros e quentes que tivemos em crianças. Hoje aquecemos os nossos corpos nus nos fardos de palha, onde ninguém nos suprime por sermos pobres, apenas nos querem ricos de alma, enquanto nos tocamos cheios de frio e de amor. pagam-nos com migalhas de pão, e temos de suprimir a fome um contra o outro, estalando com sofreguidão.
                Quando me levantar tocarei no chão frio de cimento e terra, os nossos corpos nus vão deslizar pelas aguas cristalinas do rio e nos vestiremos com o que der, mas sairemos desta terra maldita, onde só os nossos corpos podem amar sem despeito.

Filipa Teixeira.

sexta-feira, 11 de março de 2011

26th


                É o grito de socorro, aquele que oiço todas as noites, nos mais ínfimos sonhos nocturnos, nos que me dizem nada e que perguntam sempre nada de mais… Eu pergunto-me “porque é que o oiço agora, porque é que o oiço de dentro de mim, mesmo acordada (?)” …
                Eu sei a resposta, mas abstenho-me de aceita-la e de o dizer a alguém, abstenho-me mesmo de lhe responder, ao pedido de socorro que me ecoa desde o ventre até ao coração.
                Não posso mais fingir que te desconheço, mas também não quero que saibas de onde vens. Esconde-te… Ó voz piedosa… Esconde-te, foge, foge de mim… foge dos meus medos, foge da regra de vida que levo, da resposta que te darei se te assumir!
                Porque não vais? Vai! VAI MEU GRITO! Meu grito belo e penoso… foge, foge de mim, do meu coração que só magoa e faz sangrar a veia preciosa do nosso sangue. Ó minha bela voz, porque não me ouves? Porque não atendes às minhas preces?! Vai, esconde-te, foge… ignora o meu ser que o teu junto do meu não será!
                Tenho medo, tenho medo que não me oiças e te percas em vez de te encontrares fora do meu ser insignificante e amargurado pela vida que nos suplica, tantas vezes, dores infinitas do nosso sangue, do nosso doce e ferrugento sangue… aquele sangue que nos corre nas veias, iguais, nas nossas veias…
                Ó meu Deus, porque Te suplico, se em Ti não acredito?! Mas atendei ao meu pedido, peço-Te que o atendas! Se Existes de facto, atendei ao meu mísero pedido, ao pedido de alguém ínfimo… mas que acredita que se Existes irás salvar esta alma tão penosa, esta alma que ainda não deu de si e já está predestinado a sofrer uma praga infâmia e ridícula.
                Se me atendeis, ouvi o que Te estou a pedir e salva alma pura e ingénua de meu filho, salva-o da minha vida, do meu sofrer penoso e sangrento. Fazei-o morrer, ou mata-me para que não nasça e me tenha como sua mãe, não lhe dês esse descrédito e ama-o como Teu filho, se dele ninguém será Pai!

Filipa Teixeira.
[Inspiração a partir de: “не плачь” e de “Почему так случилось?”(música)]