Podia morrer escrevendo todas as palavras, todos os relatos, todos os sentimentos, todos os derramamentos de sangue e todos os homicídios que cometi... mas não pararia de escrever se quisesses saber tudo, levar-te-ia pela eternidade enquanto escrevo todas as palavras que nunca quiseste ouvir, todas as palavras que quiseste e todos os detalhes de beijos, corpos suados e olhares cruzados. Porque é assim, porque não me desfaço de entrelinhas, porque temo, porque vais chamar a polícia... levar-te-ei comigo e iremos redigir um livro, escreveremos e vais ver como soa melhor, como é menos agressivo tudo o que te digo, como soará como um filme… todo o sangue, todo o choro, todo o cheiro nauseabundo, mas com isso, talvez te faça gemer de prazer, pois toda a tua felicidade deambulou à minha volta, todos os gemidos, os sorrisos, todos os carinhos, os olhares…
Parei, parei para pensar, como podias te esquecer, mas sei que não te esquecerás, porque te levarei na corrida no Limbo, de onde só sairemos depois de me leres, depois de escrevermos juntos as palavras que nenhum humano entenderá nas nossas palavras humanas, nas nossas acções humanas… Tornar-nos-emos almas e nos consolaremos entre palavras que só este estatuto de Ser nos oferece.
Beija-me de novo e saberei se morrerás comigo ou se esperarás que a morte faça de mim impotente, como sempre foste toda a tua inútil vida.
Filipa Teixeira.
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