domingo, 28 de novembro de 2010

20th


                Não preciso de dizer muito, para dizer tudo o que quero. Já suspiro tanto e não digo nada.
                Quero falar, mas a minha boca não fala. Quero-te beijar, mas os meus pés não andam.
                Não preciso de ir muito longe, para ir onde quero.
                Não preciso de olhar para tudo, apenas para encontrar quem quero.
                Os meus lábios calam-se para ti, o impulso fecha-se ao pé de ti, os meus pés não andam para ir a teu encontro e os meus olhos… esses(?), esses olham-te de frente, procurando os teus.

Filipa Teixeira.

19th


                É como os olhos falarem e a boca olhar… olhar, intensamente! Um suspiro sai do meu peito e o embaraço permanece nas minhas mãos.
                Os teus olhos beijam os meus, um beijo tão doce, intenso e secreto, como o simples olhar dos nossos lábios, um olhar tão longínquo… quero olhar de perto, quero tocar esse olhar com o meu, quero sentir essa vontade de tocar, essa vontade de beijar, os meus olhos, sem secretismo. Quero voltar a abraçar-te e sentir aquele calor, um abraço tão quente, um abraço com vontade… simples, mas com vontade.
                Já sonho acordada, já penso a dormir… De dia ando distraída, á noite não consigo dormir. Andas-te a picar a minha mente, até que entras-te e agora, não te consigo deixar sair. Entras-te como uma droga pesada, agora és um vício constante. Não!! Não estejas longe! Preciso de te beijar, preciso de te olhar. Consigo ouvir o teu cheiro e sentir o teu som.
                Vem!! Envolve-te nos meus sentidos trocados. Vem, quero que me toques com o teu olhar. Dá-me esse calor, esse som, esse toque… dá-me essa vontade de me abraçar.

Filipa Teixeira.

18th


                Hoje olhei-me no espelho e sorri. Estava tão feia, que me deu vontade de rir. Não, não foi por isso. Os meus lábios só anseiam pelos teus e saber que não me sais da cabeça tem-me deixado feliz.
                O teu olhar deixa-me vermelha, mas a minha boca(?), a minha boca anseia pelo teu beijo, pelo teu sabor. Não imaginas o quão frustrante é ter-te a milímetros e nunca ter provado o teu sabor. Não imaginas o quão desconcertante é saber que sei como é o teu abraço, querer abraçar-te e não ter coragem para isso. Já sei como é estar colada a ti, já sei como é esperar um beijo teu… só não sei é como é recebe-lo.
                Se desespero? Sim, desespero por ti, por não te deixar partir, por não querer ir, por querer faltar, por querer tudo isto só para te ver, por te querer tanto, por saber que me podes querer também, mas não ter coragem de tirar tudo a limpo. Porque sei o quão discreto és, por saber que terias vergonha, por saber que te irias alterar se fizessem troça de mim por te querer. Por saber que queres um beijo meu… por isso tudo, desespero.
                Mas sabes(?), nada disto atrapalha a minha felicidade. Tens sido o sol dos meus dias, a chuva das minhas plantas, o açúcar do meu coração. Olhar para ti deixa-me descontrolada, tocar-te deixa-me a ferver e depois, depois de estar contigo, deixa-me febril.

Filipa Teixeira

sábado, 13 de novembro de 2010

17th


                À um tempo atrás, enquanto fazia o meu passeio nocturno, senti que alguém se aproximava, mas aquela hora, seria natural. Fiz de conta que não era nada e continuei. Comecei a correr, um pouco de jogging nunca fez mal a ninguém, muito menos a mim. Parei nuns bancos azuis para descansar, bebi um pouco de água e levantei-me.
                Corri mais um pouco, a noite estava quente, densa e misteriosa. Já eram duas da manhã, mas não me importei, corri e corri mais. Os paços voltaram a soar nos meus ouvidos. Tirei os phones, olhei e os meus olhos nada alcançaram além da escuridão. Devia ser a minha imaginação. Estava um calor incontrolável, peguei na garrafa e molhei-me da cabeça aos pés e foi quando sacudi o cabelo, depois de espremer o top, que te vi. O teu olhar profundo no meio da escuridão, o casaco preto, o brilho nos teus olhos. Vibrei, arrepiei-me totalmente, devagar comecei a sentir o teu cheiro… a hipnose começa e eu não lhe resisto.
                Sinto as tuas mãos a embargarem a minha fuga impossível, eu não queria sair. O teu nariz toca a minha orelha ao de leve e sinto os teus lábios beijarem o meu pescoço húmido. Enlaças-me num abraço e o teu corpo junta-se ao meu, todo molhado da corrida e da água que me escorreu pelo corpo. Estavas tão quente, o teu sangue pulsava mesmo de baixo da tua pele, com uma força tão grande que fazia-me tremer de expectativa.
                Depois não me lembro de mais nada, só me lembro de acordar em tua casa, com o teu pijama… ou melhor, com a tua camisa de dormir gigante, quente, no meio dos teus lençóis e na maior cama que alguma vez vi, ou melhor, que há muito tempo tinha perdido a esperança de voltar a ver, com uma dor de cabeça enorme, uns cabelos desgrenhados e molhados à minha frente e com uns braços enormes e quentes à minha volta. Não podia ser, se tivesse acontecido, eu quereria lembrar-me, porque não me lembro, porquê? Era só no que pensava. Até que me sinto zonza e desta vez, acordo mesmo. E lá estava eu, deitada no teu colo, no meio do chão, toda molhada e com o coração acelerado. Os teus olhos penetravam a minha mente de forma eloquente e deixei-me levar.
                De tudo o que esperava nada se sucedeu. Simplesmente levaste-me para casa e agasalhaste-me, ligaste o aquecimento e foste dormir para o sofá… não estava à espera mas, de manhã, soube que esperaste que o efeito do doping passar para me olhares de novo e eu perceber o que me querias dizer, sóbria.
                Foi tudo muito fácil, muito rápido. Os teus olhos falaram, eu amei e aceitei. A tua boca abriu-se e a minha língua não te deixou falar. Depois foi quase como um furacão, envolve-nos rápido mas demora a soltar-nos e foi assim, fizemos amor, ali na minha sala… horas a fio, sem comer, sem beber, sem nada, despidos de corpo e mente, entregues num rol de emoções e sensações.
                Os nossos corpos gritaram num só grito e soltarmo-nos foi difícil e doloroso. Depois… depois veio a discussão. Gritaste-me por eu deixar de comer, gritaste-me por eu beber, por eu consumir drogas, por eu dormir acordada. Depois beijaste-me de novo e disseste que me amas e que nunca mais me vais deixar. Que não vou deixar comer, mas comeremos e que se tomar droga, tomaremos juntos, se beber, beberemos juntos… disseste que ser eu morrer, morreremos juntos.
                Eu estou a morrer, os médicos estão aqui à minha volta e só oiço os bips das máquinas, ainda não ouvi a tua voz nem senti as tuas mãos. Será que tens outra, será que vais andar atrás dela como fizeste comigo, será que lhe vais jurar amor eterno? Sabes, estar em coma não é morrer e, se eu acordar, vou cobrar-te todas estas respostas e vou querer saber o porquê de não estares uma única vez presente.
                Ouve, o meu ex-noivo, eu conheço o seu toque, uau, como cheira deliciosamente bem, acho que vou acordar e perguntar se me odeia, tenho de saber…
- Ó João, ó João, queria tanto saber se me o… estou a falar? Meu Deus, acordei!! Como te amo, porque é que te troquei?
- Porque escolheste a morte a viver para sempre! Eu ainda te amo, Maria!
Basicamente, esquecer é morrer. Só por isso é que nunca me esqueci de ti!

Filipa Teixeira.

domingo, 7 de novembro de 2010

16th

                Hoje voltei ao que era, ao que nunca quis voltar a ser. Deixei de chorar, agora choro de novo, deixei de ficar triste por causa de gostar, agora gosto e estou triste, deixei de deprimir, hoje passei o domingo na cama a pensar como seria diferente.
                Eu queria deixar de ser assim outra vez mas, se calhar, o meu coração não deixa! Ele, neste tempo que tenho estado só e feliz com a minha própria felicidade, queixou-se, várias vezes, de eu estar sozinha, de não ter um outro coração para ele não estar sozinho, mas não lhe liguei. Mas ele ganhou, tanto insistiu que revi o seu ponto de vista mirabolante e sim, ele tem razão! Também preciso de alguém que me oiça, de alguém que se sinta bem a meu lado, que me abrace, que me beije com vontade, que faça amor comigo… que me ame. Sim preciso de carinho, mas não tenciono ir à procura. Se tiver direito a ele, de certo que virá, algum dia.
                Deixei-me enganar, acreditar que podia voltar a gostar, pendurei-me num ramo de árvore muito fino e o meu peso partiu-o. Nunca deveria ter acreditado que me seguraria, nem que me quereria em cima dele. Sim, ele sorriu-me, deixou-me constrangida pela vontade que tenho de lá ficar, mas enganei-me e ele partiu-se.
                Tudo não passam de mentiras, ilusões e agora… agora voltei a ser o que era, uma simples mulher enrolada numa teia cheia de lágrimas. Vou afogar-me e tenho medo! Tenho tanto medo de que cresça esta vontade, mas tanto medo! Não quero voltar a sofrer, mas também não quero ter um coração solitário.
                Que se lixe tudo, não vou ser infeliz, não vou deixar-me consumir na depressão se não há desejo mútuo, prefiro estar sozinha e acreditar que é a melhor vida que levo e que se realmente mereço, o terei. Que tenho amor todos os dias, talvez não o mesmo que uma mulher precisa de um homem, mas tenho e pronto.
                Vá, deixa-me em paz! Não quero saber mais das tuas vontades. Continua quieto no teu lugar como devirias sempre estar (é o que dá, ter um coração).

Não quero mais, estou satisfeita! Obrigada!

Filipa Teixeira.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

15th

                Se não me conhecesse, diria que fui feita para te mandar para o caralho! Foda-se, estou tão farta de ser uma santa, de não dizer merda e de não te enfiar uns selos nessa cara de quem passa o dia no face a bater píveas! Sim, elas deixam-te louco, mais eles e mais o caralho que te foda os buracos das orelhas!
                Não sei se é do sono, mas que se foda! Apetece-me mandar-te para o caralho! Imagina que é a primeira vez, encara como uma cena de teatro… não, melhor, como um filme cheio de efeitos especiais, em que a parte especial é aquela em que entras no hospital inconsciente! Imagina… imagina, um filme em três dê em que eu te salto em cima e fazemos sexo selvagem!
                Foda-se, eu queria tanto mandar-te à merda! Vai-te fuder! Estou farta de tudo!! Mas espera, vamos desarrumar a tua cama mais uma vez!
                Porque é que tudo tem de ser assim, porque é que não me agarras e não me mandas calar? Porque é que não me beijas e me penetras, porque é que já não me fazes gemer? Porque é que eu tenho de te mandar sempre para o caralho, porque é que tenho de te mandar à merda sempre que vens falar comigo?
Já acabou! Mas porque é que existiu um Tu e Eu? Sinceramente, vai-te fuder!
Foda-se, soube-me tão bem!

Filipa Teixeira.