segunda-feira, 22 de setembro de 2014

49th


É incrível! É incrível como a vida não se vive no literal… como a passo de trote apanhamos o TGV do Paraíso para o Inferno. Logo eu, que acho o Inferno o Paraíso dos pecadores. Já viste, o que realmente acontece na vida: meras atitudes, meras voltas. E a vida são bué de voltas de 365.

                Hoje cheguei a diversas conclusões, talvez já tenha pensado nisso anteriormente, mas hoje… hoje tirei conclusões:

                -“Eu estou bem!”;

                -“Amo-te!”;

                -“Quero que fiques comigo, desesperadamente, para sempre!”

                -“Não me deixes…”

                -“Não se passa nada!”

                -“Já o esqueci, não sofro, só o quero ver feliz…”

                -“…”

                Somos todos hipócritas, somos todos mentirosos. Hoje foi essa a conclusão a que cheguei, somos todos uns grandes mentirosos. Mais umas viagens em 2º classe no Intercidades, sozinha, a jubilar de alegria por fora, quando por dentro só me apetece saltar para a linha do alfa.

 

Filipa Teixeira

domingo, 14 de setembro de 2014

48th

Hoje passei por ti. Senti-te, mesmo antes de te avistar ao fim da rua. Senti o teu olhar a percorrer o meu corpo, mais uma vez, guloso como sempre foste. Também te vi a fazer de conta que não deras pela minha insignificante presença – tão insignificante que te vi ceder nos teus calções de flanela cinza escuro -, mas também senti a surpresa de me veres de pé, altiva e arrebatadora, muito mais do que outrora fui.
                Não imaginas quantas vezes gemi e suei no meu pensamento… quantas vezes te senti entrar em mim, vigoroso, tão… cheio de vida. E o quão humedecida fui ficando ao ver que me olhavas do outro lado, fitando com os teus olhos de lince as minhas pernas cruzadas e desnudadas. Soltei um gemido insonoro, que fez o meu corpo todo vibrar, ao sentir-te violar-me em cima da mesa do café, quando senti a tua erecção roçar o meu oásis escondido. Deleite-me, acredita… deleitei-me ao descruzar as pernas e observar os teus lábios entreabrirem, a tua respiração ficar mais profunda… a capacidade de te seduzir à distância só fez a minha imaginação despoletar: vi-me levantar, a desfilar entre as mesas como uma pantera, no seu caminhar bamboleante, sedutor com aquele olhar selvagem pregado no teu. Vi-me capaz de me sentar de frente no teu colo e puxar o teu cabelo, sentir a barba do teu queixo arranhar o meu pescoço enquanto te mordia a orelha. Vi-me entrar em êxtase, ali especada, com o meu pensamento ordinário a fazer-te penetrar-me até me vir sem aviso.
                As minhas cuecas atirei-as para dentro da tua caixa de correio, “espero que morras de tesão” - escrevi eu em anexo –, sabes onde eu moro, a chave continua de baixo do tapete e sabes bem que horas são…


Filipa Teixeira 

47th

Estás à espera de quê, que te implore? Eu quero que me fodas, como se fode uma puta. E não é um pedido, é uma ordem!
Esse teu cheiro deixou-me cheia de tesão, ando a guardar-me há tanto tempo… tanto tempo que já não sei o que é sentir a rigidez entrar em mim. Passas-te a noite a provar-me do outro canto do bar como um rebuçado infinito, pensavas que eu não via? Estavas tão duro que fui capaz de te sentir na minha imaginação.
Agora escusas de fugir, toca-me! Sente o quão molhada eu estou! Essa dureza mal me permite permanecer de pé, as minhas pernas bamboleiam, fraquejam perante esta tamanha vontade de que me violes. Sente-me roçar em ti, agarra-me pelos cabelos e faz-me ajoelhar à tua frente. Não! Eu não sou uma menina, sou uma mulher mas fode-me em modo wild. Não me venhas com merdas, eu sou tímida, mas não sou santa! Fode-me como uma porn star, faz-me gemer como como uma.
Bate-me, bate-me e puxa-me o cabelo enquanto te enterras em mim. Não imaginas o prazer que sinto em te deixar doido comigo de quatro. Slap that ass!, usa-me, usa-me com fervor. Sufoca-me, sufoca-me, mostra-me que no sexo não temos de ser todos iguais…



Filipa Teixeira

46th

Qualquer reprovação é a prova de que não me deixas viver. Eu tenho de viver para não adormecer atormentada com a dor de nunca ter tentado. Por muitos conselhos que me dês, que eu oiço - meu amigo meu ouvido, minha orelha meu amigo -, eu não os vou seguir à risca, pois eu sou original e eu faço as minhas escolhas e só retiro do que me dizes o que melhor se encaixar nos meus valores. Sou tão original que todos os erros que me vês dar não passam de linhas artísticas grotescas da minha mão e da condução dos meus olhos para o êxtase de toda a minha líbido, do meu ser único e, muitas vezes, altruísta.
Obrigada por estares ao meu lado. Obrigada por, apesar de me veres ser artista de mim mesma - por ser diferente de ti e de todas as tuas palavras-, fazeres parte desta tempestade monumental que, apesar de tudo, tenta a todo custo fazer os raios de sol que resplandecem de mim mesma te iluminem em toda a nossa jornada.


Filipa Teixeira