Hoje passei
por ti. Senti-te, mesmo antes de te avistar ao fim da rua. Senti o teu olhar a
percorrer o meu corpo, mais uma vez, guloso como sempre foste. Também te vi a
fazer de conta que não deras pela minha insignificante presença – tão insignificante
que te vi ceder nos teus calções de flanela cinza escuro -, mas também senti a
surpresa de me veres de pé, altiva e arrebatadora, muito mais do que outrora
fui.
Não
imaginas quantas vezes gemi e suei no meu pensamento… quantas vezes te senti
entrar em mim, vigoroso, tão… cheio de vida. E o quão humedecida fui ficando ao
ver que me olhavas do outro lado, fitando com os teus olhos de lince as minhas
pernas cruzadas e desnudadas. Soltei um gemido insonoro, que fez o meu corpo
todo vibrar, ao sentir-te violar-me em cima da mesa do café, quando senti a tua
erecção roçar o meu oásis escondido. Deleite-me, acredita… deleitei-me ao
descruzar as pernas e observar os teus lábios entreabrirem, a tua respiração
ficar mais profunda… a capacidade de te seduzir à distância só fez a minha
imaginação despoletar: vi-me levantar, a desfilar entre as mesas como uma
pantera, no seu caminhar bamboleante, sedutor com aquele olhar selvagem pregado
no teu. Vi-me capaz de me sentar de frente no teu colo e puxar o teu cabelo,
sentir a barba do teu queixo arranhar o meu pescoço enquanto te mordia a orelha.
Vi-me entrar em êxtase, ali especada, com o meu pensamento ordinário a fazer-te
penetrar-me até me vir sem aviso.
As
minhas cuecas atirei-as para dentro da tua caixa de correio, “espero que morras de tesão” - escrevi eu
em anexo –, sabes onde eu moro, a chave continua de baixo do tapete e sabes bem
que horas são…
Filipa Teixeira
Sem comentários:
Enviar um comentário