domingo, 14 de setembro de 2014

48th

Hoje passei por ti. Senti-te, mesmo antes de te avistar ao fim da rua. Senti o teu olhar a percorrer o meu corpo, mais uma vez, guloso como sempre foste. Também te vi a fazer de conta que não deras pela minha insignificante presença – tão insignificante que te vi ceder nos teus calções de flanela cinza escuro -, mas também senti a surpresa de me veres de pé, altiva e arrebatadora, muito mais do que outrora fui.
                Não imaginas quantas vezes gemi e suei no meu pensamento… quantas vezes te senti entrar em mim, vigoroso, tão… cheio de vida. E o quão humedecida fui ficando ao ver que me olhavas do outro lado, fitando com os teus olhos de lince as minhas pernas cruzadas e desnudadas. Soltei um gemido insonoro, que fez o meu corpo todo vibrar, ao sentir-te violar-me em cima da mesa do café, quando senti a tua erecção roçar o meu oásis escondido. Deleite-me, acredita… deleitei-me ao descruzar as pernas e observar os teus lábios entreabrirem, a tua respiração ficar mais profunda… a capacidade de te seduzir à distância só fez a minha imaginação despoletar: vi-me levantar, a desfilar entre as mesas como uma pantera, no seu caminhar bamboleante, sedutor com aquele olhar selvagem pregado no teu. Vi-me capaz de me sentar de frente no teu colo e puxar o teu cabelo, sentir a barba do teu queixo arranhar o meu pescoço enquanto te mordia a orelha. Vi-me entrar em êxtase, ali especada, com o meu pensamento ordinário a fazer-te penetrar-me até me vir sem aviso.
                As minhas cuecas atirei-as para dentro da tua caixa de correio, “espero que morras de tesão” - escrevi eu em anexo –, sabes onde eu moro, a chave continua de baixo do tapete e sabes bem que horas são…


Filipa Teixeira 

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