Por vezes
perco a bússola, perco-me nas montanhas dos meus pensamentos, fico tão cansada,
mas tão cansada que me apetece dormir infinitamente…
Esperar
continuamente cansa a alma, perturba o espírito e corrói a calma. E eu que fui
feita sem paciência… Havia isto de num ser vivo resultar? Se de esperar se
rege a vida?
Um sonho
atribulado fez o meu coração bombear o sangue a mil à hora, esta noite. Não
sonhei contigo… Desculpa, traí-te em sonhos. Mas soube bem, senti-me desejada.
Já há algum tempo que não me sinto desejada. Não falo fisicamente - isso sinto
e sou -, refiro-me ao sentimental. Preciso que me aconcheguem a alma, ao mesmo
tempo que faço conchinha, preciso de sentir a minha líbido estimulada, antes de
o meu corpo reagir, preciso de sentir-me amada, antes de me fazerem gemer.
Desculpa,
traí-te em sonhos. Ele abraçou-me com os seus olhos quentes, cheios de calor de
amor e amizade. Depois senti os seus braços a abraçarem-me contra ele, no leito
– que devia ser o nosso – quentes e aconchegantes, tanto carinho… os seus
lábios provaram os meus sem más intenções nos seus atos. Um beijo roubado que
podia ser teu…
Desculpa,
traí-te em sonhos. Ele rasgou a minha roupa e fez-me cantar o gemido que podia
ser teu. O seu sexo rasgava o sexo que é teu. A sua força sentiu a entrega que
devia ser tua…
Desculpa,
traí-te em sonhos…
Filipa Teixeira