terça-feira, 27 de janeiro de 2015

52nd

Por vezes perco a bússola, perco-me nas montanhas dos meus pensamentos, fico tão cansada, mas tão cansada que me apetece dormir infinitamente…
Esperar continuamente cansa a alma, perturba o espírito e corrói a calma. E eu que fui feita sem paciência… Havia isto de num ser vivo resultar? Se de esperar se rege a vida?
Um sonho atribulado fez o meu coração bombear o sangue a mil à hora, esta noite. Não sonhei contigo… Desculpa, traí-te em sonhos. Mas soube bem, senti-me desejada. Já há algum tempo que não me sinto desejada. Não falo fisicamente - isso sinto e sou -, refiro-me ao sentimental. Preciso que me aconcheguem a alma, ao mesmo tempo que faço conchinha, preciso de sentir a minha líbido estimulada, antes de o meu corpo reagir, preciso de sentir-me amada, antes de me fazerem gemer.
Desculpa, traí-te em sonhos. Ele abraçou-me com os seus olhos quentes, cheios de calor de amor e amizade. Depois senti os seus braços a abraçarem-me contra ele, no leito – que devia ser o nosso – quentes e aconchegantes, tanto carinho… os seus lábios provaram os meus sem más intenções nos seus atos. Um beijo roubado que podia ser teu…
Desculpa, traí-te em sonhos. Ele rasgou a minha roupa e fez-me cantar o gemido que podia ser teu. O seu sexo rasgava o sexo que é teu. A sua força sentiu a entrega que devia ser tua…
Desculpa, traí-te em sonhos…


Filipa Teixeira

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