O meu cantar,
o cantar de todos nós, o cantar de cada um… o meu cantar, direi eu outra vez,
pois eu sou a coisa mais importante na vida, na minha vida, outrora na tua vida
vestida ou despida. A mais linda, a mais perfeita, a única, a concreta, a “minha”
tua… para sempre…
Estes olhos
que choram, o teu corpo que foi, este tão só e esse tão sozinho… metades de um
só, dividido em dois por orgulho… danados estes corpos tão frios quanto os
corpos da morgue, tão frios quando o gelo gélido, como o frio do meu coração, do
teu… do teu coração.
Foste muito,
foste tudo, foste algo imprescindível. Fostes e sois e sereis tão único e imprescindível…
criastes em mim o fogo da vida, assim como me inundaste da mais negra dor, do quão
negra a dor pode ser, num acumular de vidas perdidas e sofridas associando-lhes
os órfãos vivos que cá ficam a sofrer pela dor mais sofrida do sofrimento
sofrido.
Não entendeis…
também não quero que entendas, apenas escrevo o que a minha alma me obriga, o
que o meu pensamento expõe e me faz ver… não posso expressar por imagens todos
os meus pensares, mas posso escreve-los e relata-los da melhor forma, como eu
quiser, como a minha mente me manda. Pois ainda sou livre da liberdade em que
me encontro, de tão livre ser que liberta vou por aqui fora… tão livre que sem
ti o meu coração chora desta liberdade tão livre em que estou agora.
Podes… podeis
fazer de mim pouco, que não importa, quero sentir-me presa, ser quem era até
agora… mas apetece-me morrer, arrancar estas entranhas e fazer de mim lixo numa
valeta, saltar de um prédio e sentir o êxtase a correr em mim, quero morrer e
perder esta vida que já nada me importa. Quero que leves de mim toda a vontade
de viver, pois estas batalhas perdidas são tiros na cabeça, mas eu não morro,
somente caio… e caí.
Morrer desta
morte matada que mais morta não poderei estar. Leva este corpo daqui para fora,
já não o posso mais olhar, este corpo que trabalhou, orou, amou, sofreu… mas
tão sofrido de quão sofrida é esta morte morrida…
Sem ti não sou
nada, sem ti não há para onde ir… para onde vou, para quê ir? Chorar, chorei, destas
lágrimas tão intensas e densas do quão duro são as pedras do rio… vê-me chorar,
arrancar a alma deste que hoje já não é que foi. Quão duro é ser, quão duro
será ser…
Pega em mim, vê… ama-me como se
fosse a ultima vez e tira-me esta dor, este amor de ser quem sou.
Filipa Teixeira
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