terça-feira, 18 de março de 2014

40th

O meu cantar, o cantar de todos nós, o cantar de cada um… o meu cantar, direi eu outra vez, pois eu sou a coisa mais importante na vida, na minha vida, outrora na tua vida vestida ou despida. A mais linda, a mais perfeita, a única, a concreta, a “minha” tua… para sempre…
Estes olhos que choram, o teu corpo que foi, este tão só e esse tão sozinho… metades de um só, dividido em dois por orgulho… danados estes corpos tão frios quanto os corpos da morgue, tão frios quando o gelo gélido, como o frio do meu coração, do teu… do teu coração.
Foste muito, foste tudo, foste algo imprescindível. Fostes e sois e sereis tão único e imprescindível… criastes em mim o fogo da vida, assim como me inundaste da mais negra dor, do quão negra a dor pode ser, num acumular de vidas perdidas e sofridas associando-lhes os órfãos vivos que cá ficam a sofrer pela dor mais sofrida do sofrimento sofrido.
Não entendeis… também não quero que entendas, apenas escrevo o que a minha alma me obriga, o que o meu pensamento expõe e me faz ver… não posso expressar por imagens todos os meus pensares, mas posso escreve-los e relata-los da melhor forma, como eu quiser, como a minha mente me manda. Pois ainda sou livre da liberdade em que me encontro, de tão livre ser que liberta vou por aqui fora… tão livre que sem ti o meu coração chora desta liberdade tão livre em que estou agora.
Podes… podeis fazer de mim pouco, que não importa, quero sentir-me presa, ser quem era até agora… mas apetece-me morrer, arrancar estas entranhas e fazer de mim lixo numa valeta, saltar de um prédio e sentir o êxtase a correr em mim, quero morrer e perder esta vida que já nada me importa. Quero que leves de mim toda a vontade de viver, pois estas batalhas perdidas são tiros na cabeça, mas eu não morro, somente caio… e caí.
Morrer desta morte matada que mais morta não poderei estar. Leva este corpo daqui para fora, já não o posso mais olhar, este corpo que trabalhou, orou, amou, sofreu… mas tão sofrido de quão sofrida é esta morte morrida…
Sem ti não sou nada, sem ti não há para onde ir… para onde vou, para quê ir? Chorar, chorei, destas lágrimas tão intensas e densas do quão duro são as pedras do rio… vê-me chorar, arrancar a alma deste que hoje já não é que foi. Quão duro é ser, quão duro será ser…

Pega em mim, vê… ama-me como se fosse a ultima vez e tira-me esta dor, este amor de ser quem sou.


Filipa Teixeira

Sem comentários: