domingo, 14 de setembro de 2014

46th

Qualquer reprovação é a prova de que não me deixas viver. Eu tenho de viver para não adormecer atormentada com a dor de nunca ter tentado. Por muitos conselhos que me dês, que eu oiço - meu amigo meu ouvido, minha orelha meu amigo -, eu não os vou seguir à risca, pois eu sou original e eu faço as minhas escolhas e só retiro do que me dizes o que melhor se encaixar nos meus valores. Sou tão original que todos os erros que me vês dar não passam de linhas artísticas grotescas da minha mão e da condução dos meus olhos para o êxtase de toda a minha líbido, do meu ser único e, muitas vezes, altruísta.
Obrigada por estares ao meu lado. Obrigada por, apesar de me veres ser artista de mim mesma - por ser diferente de ti e de todas as tuas palavras-, fazeres parte desta tempestade monumental que, apesar de tudo, tenta a todo custo fazer os raios de sol que resplandecem de mim mesma te iluminem em toda a nossa jornada.


Filipa Teixeira

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

45th

                Então fica com ele, fica com tudo aquilo com que eu sonhei. O homem que eu amei… que eu tanto amei. Fica com ele, com o amor dele. Espero que ele te ame tanto quanto eu o amei, espero que o consigas amar mais do que eu o amei.
                Então toma bem conta desse tesouro. Tesouro esse com que sonhei, com que me deitei, com que me deleitei no seu sorriso, no seu peito. Espero que ele tome bem conta de ti – não que me importe contigo, mas importo com ele – como eu tomei dele, como ele tomou de mim, mas mais como eu tomei dele.
                Então sê a sua mãe, a sua melhor amiga, a sua amante, a sua confidente, a sua psicóloga… pelo menos tenta ser como eu o fui, se não conseguires ser mais do que eu fui. Do que ele tentava ser, para comigo.
                Então leva-o, leva-o daqui! Antes que o meu coração não aguente. Sejam felizes, façam o filho que não seria eu capaz de reproduzir no meu ventre, a viagem que idealizámos, a casa com que sonhamos, o final do dia que amamos em pensamento. Ama o seu trabalho, como eu amei os seus estudos, ouve-o com atenção, aprende a amar o que ele ama de coração, aprende um pouco do que ele sabe de olhos abertos no meio da escuridão. Como ele aprendeu a amar aquilo que eu amo, aquilo com que trabalho até então…
                Então deita-te na sua cama, faz amor com ele como ele fazia comigo, despe-te como ele me despia, beija-o como eu o beijava… e não guardes pudor na sua cama. Liberta-te e não lhe digas que não, porque quem ama partilha do mesmo tesão. Geme, geme quando o sentires dentro de ti, geme quando a sua boca passar no teu corpo, geme quando ele olhar para ti. E não tenhas medo de te vir… vem-te sem vergonha, vem-te com amor… se o amas, de certo saberás o sabor do êxtase partilhado com ele, ao senti-lo em ti, num vibrato sôfrego de paixão, suor, prazer, amor… olha-o nos seus olhos, não tenhas medo de chorar e gemer, vem-te a dizer o seu nome, em prol do prazer.
                Então… se sobrar tempo, conquista a sua família, porque eu não a conquistei.

Filipa Teixeira

domingo, 10 de agosto de 2014

44th

Mata-me depois de deixar de te amar, para que não mais volte a acontecer.

Filipa Teixeira

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

43rd

Amor... melhor amor é o que fazemos com o olhar.

Filipa Teixeira

42nd

Perhaps we have not been made for each other. Unfortunately our souls and our bodies fit pretty well...
Telvez não tenhamos sido feitos um para o outro. Infelizmente, as nossas almas e os nossos corpos encaixam-se perfeitamente...

Filipa Teixeira

41st

Às vezes odeio ouvir o som do piano. 
Às vezes odeio ouvir o som da chuva lá fora, às vezes também odeio senti-la. 
Às vezes odeio ouvir o vento, o mar, a voz dos homens, olhar para os homens, o olhar dos homens...
Às vezes odeio fechar os olhos... e pensar.
Às vezes odeio amar a solidão, o escuro.
Às vezes odeio ver o meu reflexo.
Às vezes odeio amar a saudade.
Às vezes odeio sonhar... e acordar.
Às vezes odeio lembrar-me.

Às vezes penso em ti... é.

Filipa Teixeira

terça-feira, 18 de março de 2014

40th

O meu cantar, o cantar de todos nós, o cantar de cada um… o meu cantar, direi eu outra vez, pois eu sou a coisa mais importante na vida, na minha vida, outrora na tua vida vestida ou despida. A mais linda, a mais perfeita, a única, a concreta, a “minha” tua… para sempre…
Estes olhos que choram, o teu corpo que foi, este tão só e esse tão sozinho… metades de um só, dividido em dois por orgulho… danados estes corpos tão frios quanto os corpos da morgue, tão frios quando o gelo gélido, como o frio do meu coração, do teu… do teu coração.
Foste muito, foste tudo, foste algo imprescindível. Fostes e sois e sereis tão único e imprescindível… criastes em mim o fogo da vida, assim como me inundaste da mais negra dor, do quão negra a dor pode ser, num acumular de vidas perdidas e sofridas associando-lhes os órfãos vivos que cá ficam a sofrer pela dor mais sofrida do sofrimento sofrido.
Não entendeis… também não quero que entendas, apenas escrevo o que a minha alma me obriga, o que o meu pensamento expõe e me faz ver… não posso expressar por imagens todos os meus pensares, mas posso escreve-los e relata-los da melhor forma, como eu quiser, como a minha mente me manda. Pois ainda sou livre da liberdade em que me encontro, de tão livre ser que liberta vou por aqui fora… tão livre que sem ti o meu coração chora desta liberdade tão livre em que estou agora.
Podes… podeis fazer de mim pouco, que não importa, quero sentir-me presa, ser quem era até agora… mas apetece-me morrer, arrancar estas entranhas e fazer de mim lixo numa valeta, saltar de um prédio e sentir o êxtase a correr em mim, quero morrer e perder esta vida que já nada me importa. Quero que leves de mim toda a vontade de viver, pois estas batalhas perdidas são tiros na cabeça, mas eu não morro, somente caio… e caí.
Morrer desta morte matada que mais morta não poderei estar. Leva este corpo daqui para fora, já não o posso mais olhar, este corpo que trabalhou, orou, amou, sofreu… mas tão sofrido de quão sofrida é esta morte morrida…
Sem ti não sou nada, sem ti não há para onde ir… para onde vou, para quê ir? Chorar, chorei, destas lágrimas tão intensas e densas do quão duro são as pedras do rio… vê-me chorar, arrancar a alma deste que hoje já não é que foi. Quão duro é ser, quão duro será ser…

Pega em mim, vê… ama-me como se fosse a ultima vez e tira-me esta dor, este amor de ser quem sou.


Filipa Teixeira