terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

34th


... a sensação do corpo viciado, da mente viciada... se calhar viciei-me no teu sexo, na forma como o fazes comigo, como me tocas, como que fazes mudar, a maneira obscura como me fazes reagir animalescamente. 
Às vezes sinto que me amarraste a tua cama e me obrigaste a amar-te... Amar? Que palavra tão sórdida para descrever um vício... não que esteja viciada em ti, ou talvez esteja(...), mas a forma como a minha satisfação me fez passar  a querer-te, não só na cama, mas fora dela... para mim!? Será que estou a delirar? Talvez eu me tenha esquecido de como se faz, talvez tenha perdido o hábito de expor os meus sentimentos na escrita e no desenho... talvez seja por isso que me sinta tão enclausurada, tão perdida... tão fixa em ti... talvez tudo não passe de um sonho, onde a onda do orgasmo tenha sido desfeita pela ruptura abrupta da nossa ligação... da nossa ligação corporal, como um cordão umbilical, mas não tão a cima... talvez eu esteja num poço, num poço tão fundo que tudo o que eu veja são imagens criadas pela minha imaginação, imagens que tiro a partir do que já vivi... 
Penso que se calhar esteja a fazer de um copo de água um tsunami, mas assim me fizeste sentir, perdida, desconsolada, sozinha... já não há mãos que me façam sentir quente, nem olhares que me preencham o ego...

sinto a tua falta.

Filipa Teixeira

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