sexta-feira, 23 de agosto de 2013

36th


Deixei fluir, deixei sentir… o suor escorregou pela tua testa e pingou mesmo na ponta do meu nariz. A tua boca saudou-me com paixão, os teus braços abraçaram-me em fogo e eu amei-te a cada segundo.
Os teus olhos nos meus, beijaram-me a alma, chamando por mim “quero-te aqui!”… e eu fui, a minha alma entregou-se no beijo dos teus olhos e fechei-os para me entregar. Senti o teu corpo colar-se ao meu, como encostar-me a um forno, que me beija o pescoço, os ombros… Foste-me queimando a pele com os teus lábios, marcaste o meu corpo como teu, roubaste-me a alma, agora sou inteiramente tua.
                                               ***
O que aconteceu? O som da água corrente fervilhava nos meus ouvidos e uma dor alucinante na cabeça fez-me abrir os olhos, tu não estavas. Só o meu corpo ensopado de água e sangue na berma do rio. A pequena queda de água fez-me virar na sua direção. Tão… sozinha! Onde tu estás, amor meu?!
Levantei-me lentamente, tomando posse dos pedregulhos que se enfiavam pelo caudal. Olhei em volta… «Onde tu estás?!» O desespero apodera-se de mim e a pancada na cabeça começa a parecer não ter acontecido. «Onde tu estás?!» Começo a perder a noção dos sentidos, desmancho-me em lágrimas e deixo-me cair, encarquilhada, sentada no meio da água a correr por mim.
«Não pode ser… não pode!!!» “ONDE ESTÁS?” Uma luta interior que me vai derrotando pela incompreensão, pela falta de informação. «OUVI-TE!» Os meus olhos abrem-se numa procura intensiva de te encontrar. Levanto-me e “corro”, procuro-te, procuro-te com fervor!! Sigo a voz e…
 “AMOOOOR!?” «Ahn?» Eu oiço mas não encontro, a tua voz aproxima-se como um gigante, mas não te vejo, “onde estás?”… “AMOR?! AMOR, ACORDA!!!” «Ahn? Acorda?» Continuo a olhar em volta, não te vejo, mas as tuas mãos desenham paixão na minha face… sinto-me destruída, MORRESTE? NÃO!!!
                                               ***
“Amor, acorda! Abre os olhos… eu amo-te! Acorda!”. De repente os meus olhos abrem-se e, deitada sobre o teu peito, eu chorava. Tinha adormecido depois de me amares, de te amar, de nos amarmos. Mesmo sabendo que me amas, temo perder-te, temo que não te tenha nos meus braços. Puxaste o lençol sobre mim e aconchegaste-me a ti…
Amo-te!


Filipa Teixeira

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