Cada vez vejo menos, cada vez menos(...). Podia ser da idade, mas não é, sou tão nova... mas a vista foge-me cada vez mais. Queria amar-te, o meu olhar já te amou tantas vezes, mas já não te consigo delinear quando estás à minha frente.
Sou um ser impotente, sem os meus olhos vai-se a cor, o movimento, o amor, a minha arte, minha paixão... nunca mais vou poder pegar num lápis, nunca mais vou poder apreciar e chorar com linhas exageradas, nunca mais poderei ler um livro, VER as letras pretas nas páginas semi-brancas.
A cegueira atinge-me devagarinho, mas depressa. Sinto-me consumida, um bocadinho mais, todos os dias.
Será que os teus olhos ainda são castanhos, será que o teu cabelo ainda é claro, será que me olhas nos olhos sempre que te tento enxergar? Será que vou deixar de ver tudo o que amo? Porque é que me isto me está a acontecer a mim, porquê?
As dores de cabeça aumentam a cada dia, as letras vão diminuindo, por maiores que estejam, já não consigo perceber se é um 'Volta' ou um 'Vai'... espera, deixa-me limpar as lágrimas... não, a diferença não é muita!
É tão amargo... o sabor da cegueira, é tão... vazio.
Vou desaparecer! Que ninguém me procure, pois se eu não consigo encontrar-vos, tão pouco quero ser encontrada.
Filipa Teixeira.
1 comentário:
"não há maior cego que aquele que não consegue ver" e não há a mais pequena dúvida de que isto é uma grande verdade .
queremos sempre ver o que nos agrada mesmo que isso (visto de outro prisma) faça de nós profundos míopes
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