Já são cinco da manhã, as janelas semi-abertas, o céu ainda está estrelado, está a rir para nós, ilumina as nossas roupas espalhadas pelo chão, banha a tua cara linda e perfeita, ainda enrubescida, tal como a minha. O vento sacode as chamas das velas espalhadas pelo quarto, o fumo dos incensos aromatiza, delicadamente, o ar, sem roubar o teu perfume diabólico(no bom sentido) e consumista… consumista sim! Consome-me a alma, a atenção, o olhar, o toque, consome-me completamente, aliás, Tu consomes-me inteiramente e, eu, não tenho medo.
Lá fora está a chover, não tenhas pressa. Permanece aqui deitado, agarrado a mim. Não fiques nervoso agora! Depois de fazermos amor, garanto-te, que os nossos corpos nus e agarrados, sobre estes lençóis de ceda, seriam o quadro perfeito, seria a imagem perfeita para fazer vibrar um pincel ou a minha grafite. Linhas irregulares e deliciosas, traçando ondas de paixão, as roupas revoltas, os corpos enlaçados, as bocas entreabertas e os olhos brilhantes… estamos tão perfeitos que, se eu pudesse, fazia print screen e depois sentar-me-ia a teu lado e amaria a folha de papel, amaria tanto quanto te amei a ti. Faria a grafite fazer amor com o papel e tu ias amar o que eu iria projectar em tons de cinza.
Vibramos num amor perfeito, sincronizamos o rádio na mesma estação e bebemos a água do mesmo poço… não peço que penses de mais, aliás, todos estes anos nos amamos com o olhar, a tua janela e a minha, o meu olhar invejoso olhando para a tua mulher, está tão gordo que, quando te chamei para arranjar a mesa de cabeceira tudo não passava de uma mentira para testar a minha desconfiança. Diz-me, acertei, não acertei? Esse teu sono profundo, é tão belo, meu amor…
Ainda me lembro, foi à tanto tempo, fizeste amor com a tua mulher, à janela, para que eu visse. Fazias amor com ela, mas era em mim que pensavas, era para mim que olhavas!
Agora dormes deliciosamente no meu ombro, os teus lábios pedem um beijo, mas vou esperar que acordes, para saber se o sonho vibrante e sorridente era comigo. A tua mulher deve estar desesperada, mas deixa, ela tirou-me o que não era dela, agora és meu enquanto dizes ser dela!
Filipa Teixeira.
1 comentário:
é possível que eu também saiba quem tu és mas pelo nome não chego lá .
obrigada mais uma vez , hei-de ler , sempre que postares (:
Enviar um comentário