Hoje os meus olhos estão brilhantes, uma mistura de rosa e branco, lápis e pincel, delineados com cuidado, perfume cheio de aromas de amor e tentação. Não sabia que te ia ver, não sabia que ias estar à minha frente, a escassos passos…
Eu não esperava, juro que não foi propositado, a música que rolava era a que tão bem conhecíamos de outros tempos, tempos de adrenalina, fugas de casa à meia-noite pela janela do meu quarto, noitadas no parque, sem mais ninguém, só tu, eu e a escuridão imensa. Juro que a correntinha no meu peito já lá estava ontem, que não fui eu que pedi aquela música quando te vi entrar.
De tão longe e de tão perto, sentiste o meu perfume mesmo antes de abrir a porta, os teus olhos arregalaram-se de sofrimento e tentação. Os teus olhos denunciaram a sedução que viam nos meus, o brilho e os traços deles hipnotizaram o teu ser exterior, enquanto te embevecias com o meu cheiro, onde te deleitavas numa melancolia interna e externa.
Não olhes assim para a minha boca, o meus lábios escolheram o melhor batôn, lamento se foi o que me ofereceste, lamento se ainda uso a correntinha e lamento não ter os olhos, brilhantes, todos borrados de choro constante, lamento, mas o perfume que me consome liberta toda a minha melancolia.
Assim que te vi, nesse estrangulamento interior, nessa luta desesperada por fugir a correr, apercebi-me que cometi o maior erro da minha vida. Podes voltar, não te garanto uma banheira com óleos e pétalas de rosas, mas prometo-te o esforço que não fiz por demonstrar que o que eu fazia não passava de uma atitude adolescente, cheia de paixão nas veias.
Não tenho vergonha na cara, admito! Sabes que mais(?), contradizendo o que eu disse antes, se caíres na minha teia de sedução outra vez, não prometo que não sejas uma presa que volte a sofrer horrores, mas dou-te a alegria de não te matar depois de consumado o acto.
Vá, foge! Os meus olhos vão seguir-te, mesmo no outro lado do mundo, vais deitar-te na tua cama e ver os meus olhos brilhantes de sedução, paixão ardente, reencontro… e os meus lábios doces e delicados. O meu perfume… esse jamais esqueceste, percebi-o quando entraste ali, como se já fosse natural, nunca esqueceste o meu cheiro e isso quer dizer que não errei em tudo!
Filipa Teixeira.
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